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Rio de Janeiro / Cotidiano

Com 25 anos de trajetória, atriz estreia monólogo em palcos cariocas e celebra prêmio internacional de cinema

Por Claudia Mastrange

Com mais de 25 anos de carreira Monique Alfradique pode dizer que está celebrando a maturidade dramatúrgica. Afinal, quase três décadas dedicadas às artes é uma marca para lá de significativa. O início profissional, ainda menina, foi alimentado com muitos trabalhos, tijolinho por tijolinho, que agora culminam com a estreia da artista como autora, em seu primeiro monólogo “Quase Normal”, do qual assina o texto ao lado de Rafael Primot. Isso após ganhar um prêmio internacional de Melhor Atriz por sua atuação no longa “Bem Vinda a Quixeramobim”, que estreou em outubro nos cinemas. Boa fase é pouco né?

Mas, afinal, o que é ser “normal” nos loucos dias de hoje? Partindo desta premissa, a peça estreou em São paulo e agora chega ao Teatro dos Quatro, no Rio, para uma curta temporada. No solo, Monique dá vida a uma mulher contemporânea cheia de dilemas e perturbações. Depois de atravessar decepções amorosas, fracassos profissionais e experiências nada convencionais no mundo virtual, ela segue incansável na busca de realizar seus desejos e de se encontrar.

Além de se envolver em situações hilárias, a personagem também sente a pressão da sociedade para se enquadrar naquela velha moral e também nos bons costumes e agir como uma mulher ‘normal’. Mas será que é mesmo necessário preencher tantos pré-requisitos?

“O espetáculo tem a função de falar sobre a autoestima da mulher contemporânea, que sofre pressão para ser mãe, para ter um casamento perfeito e ser bem-sucedida profissionalmente. Acontece que isso tudo não faz parte do plano de vida de todas. Mas a gente sofre muita pressão diária”, analisa Monique, de 36 anos.

Sozinha em cena pela primeira vez, a atriz vibra com a troca que tem com a plateia. “É uma experiência maravilhosa, um misto de sensações, mas me sinto bastante acolhida pelo público, que é meu cúmplice. Isso de certa forma me acalenta”, diz ela, que fez temporada em Sampa, em plena pandemia.

Natural de Niterói, Rio de Janeiro, Monique começou a carreira artística aos 9 anos, fazendo teatro e publicidade. Hoje, celebra importantes atuações em TV, teatro e cinema. Foram mais 20 papeis e participações na TV, mais de 18 espetáculos no teatro e quase 18 filmes nas telonas.

Ela iniciou sua trajetória a TV como uma das paquitas do ‘’Programa da Xuxa’’. A estreia como atriz foi em ‘’Malhação’’, em 2003. Depois protagonizou na novela ‘’Agora é que são elas’’ e se destacou em outras como “Malhação” (2006), ‘’Beleza Pura’’ (2008), a série “Cinquentinha’’ (2009), ‘’Cama de gato’’ (2010), ‘’Fina Estampa’’ (2011) e “Deus Salve o Rei” (2018).

No teatro, fez espetáculos como ‘’Escola de Mulheres’’, de Molière; ‘’Comédia dos Erros’, Shakeaspere; ‘’A Mentira’’, de Nelson Rodrigues; ‘’Qualquer Gato Vira Lata’’, Bibi Ferreira e Juca de Oliveira; ‘’A Garota do Biquíni Vermelho’’, de Artur Xexeo e Jaqueline Laurence, entre outros.

Como protagonista de “Bem-vinda a Quixeramobim”, Monique abocanhou o prêmio de melhor atriz no 26° Inffinito Brazilian Film Festival e o longa também levou na categoria Melhor Filme. Na produção, Monique interpreta Aimée, uma influencer milionária que tem todos os bens da família bloqueados após um caso de corrupção, exceto uma fazenda no interior do Ceará que herdou de sua mãe.

Mais um desafio, mais uma conquista para a atriz, que recentemente também brilhou como apresentadora no reality culinário “Mestre dos Sabores” e, no Carnaval carioca, é destaque certo no desfile da Grande Rio. Haja talento, e fôlego!

Confira nosso bate-papo com Monique Alfradique:

A Monique criança já queria ser artista? Trabalhar com a Xuxa foi um belo pontapé inicial, né? A dramaturgia foi um encaminhamento natural?
Sim. Descobri que queria ser atriz aos 9 anos quando comecei no teatro. Participei de campanhas publicitárias e participações em novelas. Como paquita, tive a oportunidade de trabalhar com a Xuxa, uma grande amiga que admiro muito. Essa experiência me proporcionou muitos aprendizados. Foi onde conheci os bastidores do palco, posicionamento com as câmeras e curso de cinema, o que me fez querer cada vez mais me desenvolver como atriz. E a dramaturgia foi um dos caminhos que escolhi.

Que balanço faz destes 25 anos de carreira?
Quando paro para refletir toda a minha carreira, me sinto grata por trabalhar com o que eu amo e em diferentes projetos. Tenho muito orgulho de todos os trabalhos que já fiz e do quanto evoluí profissionalmente. É realmente uma conquista ter tantos anos de carreira e com diversas oportunidades desafiadoras. Hoje me ver como uma atriz versátil que além da atuação, também apresenta, faz produção e execução de espetáculos, é uma grande satisfação, tanto pessoal quanto profissional.
Como é o desafio de estrear como protagonista e já premiada com “Bem-vinda a Quixeramobim”? Muitas emoções juntas, né?
Me senti extremamente feliz com essa conquista, o filme foi feito com muita dedicação de todos, desde o roteiro, direção, como toda a equipe que se dedicou e fez tudo acontecer! A premiação valoriza o nosso cinema nacional e principalmente o humor que sempre foi considerado um gênero inferior. Protagonizar Aimee, uma personagem que tem várias nuances do humor ao drama, e participar de uma obra que valoriza as regiões cearenses e a cultura brasileira é incrível. Atualmente  trabalhar com o audiovisual tem sido cada vez mais desafiador. Então é satisfatório receber a premiação e o reconhecimento pelo nosso trabalho.

Monique ganhou prêmio internacional por sua atuação em “Bem-vinda a Quixeramobim”

Fale um pouco sobre o filme e a Aimee. Como foi essa imersão de dois meses no universo nordestino e filmar lá?
A obra conta a história de Aimée, uma influenciadora milionária que após ter todos os bens da família bloqueados por causa de seu pai, que foi preso por corrupção, vai para Quixeramobim para resgatar o único lugar que lhe resta, uma fazenda de sua mãe. A imersão para o filme foi incrível e favorece o desenvolvimento das cenas e dos personagens. Após a preparação, que foi por vídeo chamada, quando começamos os ensaios e as gravações em Fortaleza, passamos um mês isolados apenas ensaiando. A convivência entre eu, Edmilson Filho e o Max Petterson nos aproximou muito. Fazíamos tudo junto e essa conexão com certeza refletiu de forma positiva durante as gravações.
Como artista, também tem seu ladinho influencer? Como lida com as redes sociais em seu dia a dia, responde os fãs?Qual o limite da exposição e da curiosidade?
Gosto das redes sociais e acho legal ver como o público acompanha minha carreira e interage comigo. Mas sempre respeitam quando eu dou um tempo nas redes sociais. Acredito que é importante saber dosar o tempo conectado para renovar as energias, além de saber impor limites do que é público e o que é a minha vida privada.

Você é co-produtora da comédia ”Quase normal”, como é atuar nessa função?
Participar da produção executiva de “Quase Normal”, junto com o Rafael Primot e agora Priscila Prade tem sido uma experiência nova e desafiadora. Atuar nessa função faz com que eu participe do projeto como um todo, são muitos os aprendizados! Estou amando exercer novas funções e lidar com novas experiências. Além de assinar como autora.

Como tem sido o desafio de encarar seu primeiro monólogo, “Quase Normal”? A pandemia chegou a suspender a turnê né?
A primeira e segunda temporadas aconteceram em São Paulo, sendo a última durante o período de flexibilização da pandemia e seguindo todos os protocolos de segurança contra a Covid19, e foi um sucesso! Sempre tive fascínio pela troca com o público e, na época, foi ótimo poder retomar aos palcos depois do distanciamento social e sentir novamente o ‘contato’ do público. Estou animada e ansiosa para essa nova temporada no Rio de Janeiro, que fica em cartaz no Teatro dos Quatro, até 27 de novembro.

A atriz está em cartaz com o monólogo “Quase Normal”

Sufocada, ansiosa e impulsiva, muitas vezes, ao longo dessa narrativa, a mulher contemporânea que você interpreta mergulha em questões existenciais mais profundas né?

Sim….Ela se questiona: venci na vida? Sou suficientemente independente? Sou bem-sucedida? Sou amada? Sei amar? Acho que a peça ressalta o poder feminino, fala que a mulher pode aceitar o próprio corpo, apesar da imposição dos padrões estéticos.

Você rodou um longa de ação “Reação em cadeia”… Como foi esse desafio e atuar num gênero pouco explorado no Brasil?

Foi um desafio muito interessante de encarar. Gostei de interpretar a personagem Lara, que é uma mulher muito intensa, autêntica e impulsiva. Também amei a experiência e a adrenalina de gravar um filme de ação! Mas não gravamos durante a pandemia, o longa foi rodado antes.

Como foi a experiência de atuar também na novela portuguesa “Festa é Festa”? Que diferença maior percebeu da novela lusa para as brasileiras?
A novela é muito aclamada em Portugal, por isso, quando recebi o convite fiquei muito honrada, principalmente por contracenar com a consagrada Maria do Céu, uma atriz com uma trajetória admirável. Toda equipe foi incrível e a minha primeira atuação internacional não poderia ser melhor. Na verdade eles sempre consumiram nossas novelas.

Há um tipo ou personagem que você sonha em fazer?
Novas histórias me motivam bastante. Tenho muita vontade de produzir a série inspirada no meu monólogo “Quase Normal”.

Já começam a acelerar os trabalhos para o Carnaval 2023 e você é figura certa na Grande Rio…Como foi voltar ao samba após a pandemia e a expectativa para 2023?

Voltar ao samba me traz uma sensação de recomeço, mesmo com todas as dificuldades que enfrentamos durante a pandemia, finalmente estamos retornando ao ”normal” com muita alegria e disposição. Estou animada para o carnaval de 2023 e as minhas expectativas são as melhores. Quero retomar com muito samba no pé e trazer muita alegria para Caxias e todos que amam o carnaval e acompanham esses dias de folia, que gera muitos empregos.

Pode nos contar um pouquinho dos projetos para 2023?
Tenho o meu monólogo “Quase Normal”, com texto meu e do diretor Rafael Primot, e que conta a história de uma mulher que tem que lidar com a vida cheia de imprevistos, desilusões, ansiedade e outros sentimentos normalmente presentes na vida adulta… Além disso, vou estrear um filme na Netflix e a série para a Amazon, “5x comedia”.

Você arrancou suspiros em Búzios recentemente. E aos 36 anos, parece ter 20. O que faz para se cuidar?
Obrigada! Gosto de treinar, cuidar da minha alimentação e cuidar do meu corpo, claro que sempre respeitando meus limites, sempre estou com o corpo em movimento. Além disso, também me preocupo em estar bem espiritualmente. E para isso tenho praticado yoga e meditação. Isso tem me ajudado a manter o equilíbrio e me faz muito bem.

Como está o coração da Monique, apaixonada?
Está muito bem e sim, apaixonada.

O que curte fazer no Rio de Janeiro, qual a programação preferida e seu point /paisagem inesquecível?

Adoro ir ao teatro, cinema, caminhar na praia, tomar uma água de coco vendo o pôr do sol.

Fotos: Jaime Leme e Gabriel Fahat


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