Disciplina, determinação e reinvenção constante de seu talento nato para a dança. O perfil do carioca Thiago Soares – cuja trajetória foi do hip-hop no viaduto de Madureira, no Rio de Janeiro, às performances como primeiro bailarino do Royal Ballet de Londres – é recheado de momentos de superação. Como todo bom taurino é obstinado em tudo o que se propõe a fazer. E até os pés calejados, consequência dos ensaios à exaustão das coreografias que levou aos palcos de 30 países, viraram troféus para quem se tornou um dos maiores nomes da dança brasileira e internacional. Hoje, Thiago vive uma nova fase: além de bailarino, é diretor artístico e coreográfo da companhia de dança que leva seu nome, e que está em cartaz com uma versão latina da consagrada ópera “Carmem”, de Bizet, misturando b alé, dança urbana e acrobacias, inovando na linguagem de movimento. “Venho das danças urbanas, do pé no chão, do asfalto, do viaduto de Madureira. Por mais que eu tenha dançado em teatros líricos de tapete vermelho, está em mim o asfalto”, pontua. Ao focar seu trabalho em talentos brasileiros – muitos deles selecionados em projetos culturais, onde também foi descoberto ainda adolescente – repete sua própria história. “A dança me transformou e, hoje, tenho transformado a vida de muitos jovens da minha companhia”, diz, acrescentando: “A vida é uma dança sem fim”. E é. Ele é prova disso.
