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Rio de Janeiro / Cotidiano

Arte popular que virou moda

Por Claudia Mastrange

Lindonice Brito é uma apaixonada pela arte. E essa fonte de inspiração acabou se transformando um empreendimento ainda mais apaixonante: a marca Pernambucana da Gema, que sublinha o luxo da palha em bolsas, chapéus e acessórios produzidos de modo artesanal. “Sou uma eterna perseguidora da arte popular brasileira. Por onde os meus olhos caminham, eu me deparo com a arte de meu povo, de artistas incrivelmente maravilhosos”, afirma Lindonice.

Nascida em Recife, em uma família de classe média, com nove irmãos, Lindonice dedicou-se aos estudos, sempre antenada com as oportunidades que a vida tem a oferecer “Construí o meu futuro pautada em minhas vontades”, conta ela que formou-se advogada e professora de História e atuou como Procuradora do INSS, entre outras atividades. Hoje, divide deu tempo entre o escritório de advocacia sediado no Rio de Janeiro  e a Pernambucana da Gema.

A marca nasceu da vontade de transformar o produto do trabalho dos artesãos brasileiros  em verdadeiras obras de arte.  A ver um artesão tecer um chapéu de palha de carnaúba, numa região entre Alagoas e Sergipe, Lindonice decidiu mostrar o trançado brasileiro ao mundo. Dedicou-se a pesquisar  palhas e outras matérias-primas que representam toda a exuberância da flora nacional e uniu a isso o trabalho de renomados pintores que criaram a arte das primeiras peças,  tudo sublinhando “o luxo da palha”.

A empresa, criada em 2015 em sociedade com a filha Ana Carolina, vende para 25 multimarcas no país e ganha cada vez mais admiradores e visibilidade no mercado.  Tanto que, este ano, mais uma vez marcou presença no salão de negócios da Veste Rio, maior feira de moda do Rio de Janeiro. No evento, destaque para a sua coleção inspirada nos modelos europeus.

No último dia 11 de novembro, a Pernambucana da Gema, em parceria com a revista Mais Influente, realizou o Summer Fashion 2022, delicioso evento de moda, em Copacabana, reunindo  estilistas do eixo Pernambuco/Bahia/Alagoas, que assinam exclusivas coleções, de roupas e acessórios únicos de moda e estilo, em que o luxo é imperativo. Um modelo de negócio que contempla grifes de diferentes segmentos e movimenta o mercado neste momento de retomada. “Sempre gostei de empreender”, diz Lindonice, 73 anos.

Criativa, autêntica, solar. Todas as características da marca podem ser também atribuídas à pernambucana Lindonice. Após morar em São José dos Campos (SP), por conta do trabalho do primeiro marido, em nova etapa de sua vida mudou-se para o Rio de Janeiro. Ainda jovem havia conhecido as belezas da Cidade Maravilhosa e mergulhado, encantada, na Praia de Copacabana. Atualmente é em Copa que mora, após mudar-se para a cidade, por conta do segundo casamento. “A cidade do Rio de Janeiro é uma fotografia clicada por Deus, de tão linda que é”, derrete-se a empresária.

Pelo visto, beleza e arte são mesmo parte da essência de Lindonice. Confira nosso bate-papo com a advogada e empresária:

Bolsas, chapéus e acessórios da grife ressaltam o ‘luxo da palha’

Você é advogada e comanda um escritório e também  é empreendedora, à frente da marca Pernambucana da Gema. Como se divide à frente das duas empresas? Como lidar com mundos tão diferentes?

Sou funcionária pública federal aposentada. Sou advogada. Fui Assistente Jurídico do CTA – Centro Técnico Aeroespacial e fui Procuradora do INSS, contratada. Tenho escritório de Advocacia aqui na cidade do Rio de Janeiro. Sempre gostei de empreender e somam-se às minhas atividades profissionais, as minhas atividades no processo criativo da marca Pernambucana da Gema, uma empresa que criamos eu e minha filha Ana Carolina, para mostrar a beleza das palhas brasileiras, em chapéus e bolsas que juntas criamos. Procuro administrar o meu tempo no contexto de minhas múltiplas atividades.

Fale de sua trajetória… Verdade que era meio ‘rebelde’? O que sonhava para seu futuro?

Meus pais me proporcionaram boas escolas. Tive oportunidade de ter um pai que me ensinou a ler Platão, enquanto minha mãe me ensinava a gostar de artes, porque era uma mulher que gostava de trabalhos manuais. Sou filha de uma família de 9 irmãos . Nasci de uma família classe média de Recife, onde todos os irmãos frequentaram a oportunidade de estudar e quase todos têm formação superior. Não fui rebelde, creio que era curiosa e sempre quis ver o que a vida podia me proporcionar. Construí o meu futuro pautada em minhas vontades e assim fui me construindo materialmente e sobretudo espiritualmente.

Verdade que Copacabana te arrebatou numa viagem ao Rio, você mergulhou no mar e já decidiu ficar de vez na Cidade Maravilhosa? Que magia têm Copacabana e o Rio?

Apesar do encantamento pela cidade do Rio de Janeiro e de ainda jovem ter mergulhado literalmente na praia de Copacabana, isto foi só uma experiência, porque nunca me imaginei morando na cidade. Mas, a roda da vida, em uma das mudanças, fez com que eu viesse morar no Rio de Janeiro, em razão de meu segundo casamento.  Amo Copacabana. A cidade do Rio de Janeiro é uma fotografia clicada por Deus, de tão linda que é.

Lindonice e suas criações :“Gosto de empreender” (Foto: Divulgação)

 

Conte de sua paixão pela moda e como isso a levou à criação da marca.

Sempre gostei muito da arte popular brasileira, que entendo ser a fonte inspiradora da moda e do estilo do nosso povo. A Pernambucana da Gema nasceu deste meu olhar voltado para a arte. Gosto da moda. Mesmo não tendo formação em moda, ousei criar chapéus e bolsas de palhas brasileiras, agregando materiais diferenciados. Criamos um produto exclusivo e cheio da energia de nosso artesão.

Você se formou professora de história, foi vereadora, procuradora e agora empreende… Acredita que é possível se reinventar e começar uma nova história em qualquer idade?

Eu me formei professora e advogada. Fiz História como complementação de meu curriculum pedagógico. Mas, na verdade, sempre advoguei. Enquanto há vida há tempo para fazer o que se tem vontade e disponibilidade. Gosto de trabalhar. Gosto de empreender. Para o trabalho me considero atemporal.

Qual o diferencial da Pernambucana da Gema?

O diferencial da Pernambucana da Gema é criar peças instigantes, exclusivas e que mostram o luxo das palhas brasileiras.

Ana Carolina no Veste Rio: a marca é presença constante no salão de negócios (Foto: Reprodução)

Conte mais detalhes a respeito das peças. Pude ver que são lindas e criativas, com materiais brasileiros…. Como seleciona e agrega o trabalho dos artesãos brasileiros?

Crio todas as peças da marca. Busco nas comunidades indígenas, quilombolas e artesanais, a matéria prima que usamos em nossas peças. Nossas peças são objeto de desejo. São peças cheias de energia.

Conte-nos sobre a coleção de pingentes que terá parte do valor das vendas revertida para o Natal das crianças de Alto Arapiuns. Importante essa questão da solidariedade social, além da valorização do produto nacional?

Mandei fazer 50 pingentes. Já chegaram. São peças lindas, feitas pelos povos da Amazônia ribeirinha. Este projeto me encantou. Arapiuns é um grande exemplo de solidariedade do casal Lelis e Janice Fachini. Piloto comandante internacional, Lelis  e a sua mulher, a ex-aeromoça e hoje psicóloga Janice  levam ações de cidadania – com saúde física, bucal, capacitação, lições de empreendedorismo  – e mais dignidade para essas comunidades da Amazônia ribeirinha.

Achei as peças da Pernambucanas da Gema a cara do Brasil. Palha, coco, renda filé, cores, tudo com extrema criatividade e personalidade. As brasileiras estão curtindo mais o que é genuinamente nacional? É um estilo que também vende bem para o exterior?

As brasileiras gostam de usar o que é bonito e têm comprado as nossas peças. Ainda não exportamos.

Como surgiu a ideia de criar o evento Summer Fashion 2022?

O evento nasceu a partir do lançamento da revista. Nada melhor do que aproveitarmos a oportunidade de lançamento de uma edição de uma revista de respeito para mostrarmos a moda do nordeste. Assim nasceu o Summer Fashion 2022.

Qual a expectativa para o mercado da moda, nesta retomada de eventos, atividades, e rodadas de negócios nesse pós-pandemia?

Precisamos nos adaptar a este novo momento e caminhar de acordo com as batidas do mundo.

Fotos: Divulgação