Estudos do Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises (IFec RJ) mostram expansão da informalidade, da ocupação irregular e dos impactos do roubo de cargas, reduzindo a arrecadação e limitando investimentos em serviços públicos
Além da Zona Sul, a desordem urbana também preocupa comerciantes e empresários no Centro da capital e do estado como um todo. Pesquisa inédita do Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises (IFec RJ) mostra que a informalidade deixou de ser um problema localizado e se consolidou como um obstáculo ao desenvolvimento econômico fluminense. No Centro do Rio, 60,9% avaliam que a atividade informal já está disseminada por toda a região central, ampliando a concorrência desleal e comprometendo o ambiente de negócios.
O cenário se repete no restante do estado. Com base em dados da PNAD Contínua, do IBGE, o Indicador do Grau de Informalidade do IFec RJ mostra que a informalidade segue em trajetória de crescimento no Rio de Janeiro, consolidando uma realidade que afeta municípios de todas as regiões fluminenses. Em contraste com a tendência observada no país na última década, o estado registrou avanço da atividade informal, refletindo os desafios enfrentados pelo comércio e pelos serviços. Segundo estimativa do Instituto, a economia subterrânea movimenta cerca de R$ 163 bilhões por ano no estado.
A análise do IFec RJ também relaciona esse ambiente de informalidade aos impactos da criminalidade sobre a atividade econômica. Dados reunidos pelo Instituto mostram que, após anos de estabilidade, o roubo de cargas disparou em março de 2026, com alta de 85,1% em relação ao mesmo mês do ano anterior. O avanço desse tipo de crime eleva custos operacionais, compromete o abastecimento de mercadorias e pressiona os preços ao consumidor, criando um ciclo que favorece mercados paralelos e dificulta a atuação das empresas que operam dentro da legalidade. Para ilustrar o tamanho da perda apenas no varejo, no ano passado foram gastos R$ 4,5 bilhões no mercado informal, valor superior à soma de todas as datas comemorativas do comércio.
Os recursos hoje desviados para a economia ilegal poderiam fortalecer a arrecadação tributária e serem revertidos em investimentos em segurança pública, saúde, educação, mobilidade urbana e infraestrutura, promovendo mais qualidade de vida para a população e um ambiente mais favorável ao desenvolvimento econômico do estado.
Foto: Fernando Brazão/Agência Brasil
