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Rio de Janeiro / Cotidiano

Jorge Perlingeiro: “Eu penso 24 horas no Carnaval carioca”

Dono de uma voz marcante, que o povo brasileiro já está acostumado a escutar – principalmente no Carnaval carioca –, quando ele anuncia as notas das Escolas de Samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro, Jorge Perlingeiro, o “dez, nota dez” e atual presidente da Liesa (Liga das Escolas de Samba), não vê a hora de chegar fevereiro para o carioca mostrar o maior espetáculo da Terra. “A apuração das Escolas de Samba é um marco da minha vida porque são trinta anos que faço isso. E o ‘dez, nota dez” se tornou um bordão carioca. Hoje é um patrimônio imaterial da cidade do Rio de Janeiro”, diz.

Mas o que o Carnaval representa para esse carioca da gema? “Penso em Carnaval 24 horas por dia. Eu sei a falta que esse evento fez para a cidade. Estamos trabalhando muito para realizar o maior Carnaval de todos os tempos”, ressalta. Conversei com Perlingeiro, que não vê a hora de mostrar as novidades para o Carnaval carioca.

Está gostando de ser o presidente da Liesa? Acredita que seja um cargo de muita responsabilidade?

Quanto a gostar de ser presidente da Liesa, eu gosto, mas é um cargo de muita responsabilidade e não é pouca não. O Carnaval é um evento muito grande, cheio de detalhes, com muitos parceiros e muitos contratos. Aliás, muito tudo para se fazer um evento dessa grandeza. Parece que a Liga tem 200 funcionários, mas na empresa inteira só tem 17, incluindo a Cidade do Samba. A responsabilidade é muito grande, mas ao mesmo tempo é gratificante em termos de prestígio, porque estou representando uma coisa na qual eu sempre estive, desde a fundação, há 17 anos. Isso para mim é como se fosse um fim de carreira, uma pré-aposentadoria. Foi um grande desafio quando eu assumi. Eu sempre digo que não sou presidente, estou presidente; e enquanto lá estiver, pretendo dar o máximo que puder em prol de fazer o melhor cada vez mais.


O “dez, nota dez”, se tornou um bordão carioca para destacar algo muito “bacana” para a cidade. O decreto foi estabelecido pelo prefeito Eduardo Paes. O que você acha?

O “dez, nota dez” se tornou um bordão carioca porque hoje é um patrimônio imaterial da cidade do Rio de Janeiro. Eu passo nas ruas e as pessoas gritam esse bordão. É uma referência que já entrou até em novelas como “Império”, que foi reprisada há pouco tempo. A apuração das Escolas de Samba é um marco da minha vida porque são trinta anos que faço isso. Seria em 2021, mas como não teve, será em 2022. E todos me perguntam se eu vou continuar dando as notas. Vou sim, e se Deus me ajudar, no próximo ano, quando vou completar o ciclo de 30 anos.

O que representa o Carnaval carioca para você? Acredita que em 2022 teremos um Carnaval normal ou será diferente?

Carnaval, para mim, representa muita coisa, porque está na minha vida. Eu tenho quase 50 anos de carreira. Comecei como repórter na extinta TV Tupi, depois passei a ser locutor da Avenida (Marquês de Sapucaí) por muitos anos. Em seguida, ingressei na Liga como diretor e fiquei coordenando os desfiles. Eu acho que o Carnaval está no meu sangue. E agora, mais do que nunca, eu penso em Carnaval mais de 24 horas por dia. Já estamos na reta final. Em 2022 vai ser normal porque vai ser por inteiro. Se tiver que fazer diferente, não vai acontecer. Mas se tiver que diminuir o público, controlar a quantidade, a gente não fará. Ou o Carnaval é com toda a pujança e força do espetáculo, ou ele será transferido para julho de 2022 se não houver condição. Ele teria duas datas, em fevereiro ou na primeira quinzena de julho, caso haja algum problema.

Quando teremos um programa com Jorge Perlingeiro novamente na TV?

Eu estou fazendo um programa chamado “Jorge Perlingeiro”, que é uma espécie de “Samba de Primeira Retrô”, na TV+, todas as quintas-feiras, das 22 às 23h, com reprise aos domingos, das 21 às 22h, pelo canal 25, aberto, e 525 em HD da NET. A minha produção tem um acervo com mais de 400 horas gravadas de vários programas meus, incluindo as festas do “Samba de Primeira”. Enfim, um pouco dos meus 50 anos de carreira, com documentários. Todos foram resgatados, fizemos masterização, tiramos de fitas antigas que não são mais usadas e salvamos muita coisa. E graças a Deus tenho sentido muita receptividade de pessoas que me encontram e falam que acham bom reviver João Nogueira, Clara Nunes, Roberto Ribeiro. Não só que os já foram, mas também pessoas que estavam começando a carreira. Tem até Roberto Carlos. Toda semana a gente relembra os quadros de memórias de grandes artistas que já se foram. Eu gravo as cabeças ao vivo e deixo a parte musical in memorian. Na realidade, é um grande flashback dos momentos do “Samba de Primeira Retrô”.

Outra frase que se destaca entre várias da sua carreira é “Só se for agora”. Quando surgiu esse bordão?

Esse bordão não fui eu que criei. Eu não gosto de ser pai de uma coisa que eu não geri. Tudo aconteceu assim: uma vez, conversando com Alcione, há muito tempo, há mais de vinte anos, eu perguntei para ela: “O que é que você acha de fazer tal coisa?”. Então, respondeu: “Só se for agora”. Isso ficou na minha cabeça e passei a usar esse bordão para sempre na minha vida. Mas todo mundo usa. Eu não reivindico porque não é meu, mas do povo.

Quando não tem Carnaval, o que Jorge Perlingeiro faz?

Penso em Carnaval e sei a falta que fez para a cidade do Rio de Janeiro. Não só pelos aspectos cultural e artístico, mas também pelo financeiro. O Rio deixou de arrecadar 5 bilhões de reais por não ter Carnaval. Por isso que agora nós estamos aptos para fazer um belíssimo espetáculo, e tenho certeza de que isso vai acontecer. Estamos trabalhando muito para isso e vamos realizar o maior Carnaval de todos os tempos. Essa você não pode perder: só se for agora!

Foto: Divulgação e Roberto Filho